História


Quem vem lá, de amarelo vermelho e branco?

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Era 22 de janeiro de 1955.  Após uma partida de futebol na Escola Industrial – hoje Centro Federal de Educação Tecnológica, Abelardo Henrique Blumemberg (Avez-vous),  Juventino João Machado (Nego Quirido), Waldemiro José da Silva (Lô) e Jorge Costa (Jorginho) conversavam em frente ao bar do Seu Segundo (Secundino Lemos), na Rua Major Costa, centro de Florianópolis.  Lamentando a pobreza do carnaval ilhéu, somente comemorado pelas sociedades carnavalescas de carros de mutação, Avez-vous levou aos amigos a idéia de criar uma Escola de Samba. A Protegidos havia parado. No primeiro momento houve discordância, mas Avez-vous e Lô se responsabilizaram por comprar o Livro de Ouro e ir à luta.

Sobre o nome da Escola, Jorginho sugeriu o nome “Garotos do Ritmo”, com o qual não Avez-vous não concordou por entender que, na faixa etária que se encontravam, já haviam ultrapassado a fase de garotos. Catarina com diversas incursões ao Rio de Janeiro, passageiro privilegiado da terceira classe do navio Carl Hoepcke, convivendo, na maioria das vezes, na zona norte do antigo Distrito Federal, apreciava uma gíria otimista que significa “viver numa boa”. Assim, sugeriu  “Embaixada Copa Lord”, que significa “viver numa boa”. 

No dia seguinte, os fundadores compraram o Livro de Ouro e confeccionaram o emblema da Escola. Um Ás de Copas, significando o amor e a paixão do sambista pela Copa Lord, um par de luvas, uma cartola preta e uma bengala, expressando a nobreza dos sambistas da escola. As cores do pavilhão só foram adotadas em 1966, pela implantação do samba-enredo “Quem vem lá?”. A cor branca representa a paz e a união. A amarela simboliza o progresso. A vermelha traduz a paixão e o amor do sambista.

A Copa se apresentou naquele mesmo ano, no dia 25 de fevereiro de 1955 e a organização era em frente do bar do Seu Segundo, amigo dos fundadores convidado para ser Presidente de Honra da escola.

A comissão de frente era dirigida pelo jogador do Avaí Olney Lúcio, o Boca. Charlie-Chan (Antônio Lory Siqueira), Hormida Harnak Feijó (Nego Mida), Ivaldo Melo (Paru), Valmor de Souza (jogador do Figueirense) e José Cosme (Zezinho) completavam a evolução. Frente à escola, manobrava o mestre Lídio 33 – carregador conhecido de Floripa. O primeiro mestre-sala da Escola foi Avez-vous e Benta Góes, a porta-estandarte. O cabo da PM Orlando José de Souza era o Diretor de Harmonia e comandava dez pastoras e dez sambistas. Lô era o diretor de bateria. Vinha com 50 ritmistas, incluindo o trompete do Djalma Chapéu e o trombone do Carlito, instrumentos abolidos no carnaval de 1956.
O título de Campeã do carnaval de 1955 foi disputado com a Unidos da Tico-tico, a Alvim Barbosa (Morro do Céu) e o bloco carnavalesco da Escola Aprendizes Marinheiros, os Filhos de Netuno. Na comemoração do desfile, com anuência de todos os participantes, consideraram a data de 25 de fevereiro de 1955 como a fundação oficial da Escola, em homenagem a seu primeiro campeonato.

A Escola no início era vista como um agrupamento de desocupados e boêmios, o que trouxe dificuldades para trazer os participantes e financeiras. Os primeiros instrumentos eram simples, feitos de couro, madeira e pele de gato. No período de 1955 a 1967 não havia nem intérpretes nem som mecânico. O dinheiro era obtido através de donativos particulares com a circulação do Livro de Ouro. A Prefeitura e o Governo do Estado contribuíam com parcelas limitadas e insatisfatórias.

No domingo posterior à conquista do primeiro título, o jornalista Manoel de Menezes convidou a Escola para desfilar com a Miss Marta Rocha no trajeto das ruas Conselheiro Mafra, Praça XV e Felipe Schmidt. Assim, 1955 foi considerado o ano de consagração e da glória da Embaixada Copa Lord, com o samba-enredo “Exaltação a Tiradentes”.

Em 1956 surgiu a primeira ala das baianas. Um modesto carro alegórico era ocupado por Dona Uda (Maria de Lourdes da Costa) – rainha da Copa Lord e primeiro destaque da Escola. A bandeira substituiu o estandarte, com que bailavam a porta-bandeira Neném e o mestre-sala Edevaldo Charuto. Foi este quem trouxe para a escola os instrumentos de percussão agogô e reco-reco de metal.

Em 1957 a quantidade de componentes aumentou para duzentos. Foi neste ano que surgiu neste ano a primeira cidadã-samba: Alba. Vale lembrar a participação no Nego Quirido, na época considerado o maior puxador de cuíca do sul do Brasil. O prefeito Osmar Cunha apoiou fielmente a Protegidos e a mesma foi campeã. Presidida por Jorge Barão, a Copa Lord fez uma manifestação contra em frente à Câmara de Vereadores. Deu certo e o governador apoiou financeiramente a Escola. Mesmo assim, a apresentação, embalada pelo samba-enredo “Uma romaria na Bahia” foi fracassada por erros e problemas com fantasias.

Em 1965, a Copa trouxe para o desfile o seu primeiro carro alegórico de verdade. A Escola contava com o apoio do professor Frankilin Cascaes, colaborador da comunidade e membro da comissão julgadora do carnaval. A Escola tinha tudo para ganhar. Mas infelizmente, por desavenças políticas, Cascaes foi expulso da comissão pelo prefeito Osmar Cunha, e a Copa ficou com o vice-campeonato. Neste mesmo ano, Avez-vous compõe um samba de quadra que passou a ser verdadeiro hino da Copa Lord, “Quem vem lá”.

Destaques Copa Lord

Carnavalescos: Orlando José de Sousa (in memorian), Abelardo Henrique Blumemberg – Avez-vous (in memorian), Eliel Lucena, Moacir Benvenutti, Eloá Miranda, Beirão, Paulinho e Márcio.

Compositores: Abelardo Henrique Blumemberg – Avez-vous (in memorian), Auri da Silva, Valdir e Maurília Cunha, Valcambo, Nelson Wagner, Edson Camargo Evangelho, Celinho da Copa Lord, Edu Aguiar, Maranhão, Fausto, Bira Pernilongo, Vicente Marinheiro, Gerson, Jaison, Jefinho, Paulinho Carioca, Márcio Martins, Januário e Dinho Bom Partido.

Diretores de Bateria: Lô (in memorian), Bolão (in memorian), Elpídio (in memorian), Touca, Marrom e Ari, Carlos Marujo, Rato e Carioca, Edson Camargo Evangelho, Mazinho, César, Rosemar, Carlão e Ango.

Diretores de Galpão e Equipe: Antônio Carlos Barbosa – Pit-bull, Cadica – pintor, Edenilton – eletricista, Gel – decorador, Ivan, Leco e Norton – auxiliares de soldador e Rubão – soldador.

Mestres-Sala: Abelardo Henrique Blumemberg – Avez-vous (in memorian), Edevaldo Charuto, Melelik (in memorian), Barra-Velha, Hamilton Paulista (in memorian), Helinho da Nimica (in memorian), Taí (in memorian), Álvaro Fogão (in memorian), Doni (in memorian), Parafuso, Terry, Téia, Caetano (in memorian), Inácio, Carlinhos Quadros, Mazinho, Tenório, Xexéu, Beto Cobrinha e Luís Carlos – Lu.

Porta-Bandeiras: Benta, Neném, Nízia (in memorian), Maria Helena, Nizete, Mira, Maria Ramos, Marlene, Márcia, Branda e Telma.

Passistas: Lidinho, Ademir (in memorian), Roleta, Eta, Maia, Lidinho 33, Nêgo, Kala, Rui, Camisa, Cantalício e Adilson Coelho.

Percussionistas in memorian: Alcides Silva – Nego Cid (surdo), Abel (reco-reco), Alaor (agogô), Abalor (tamborim), Aneri (cuíca), Cainda (surdo), Célio Buck Jones (surdo), Chico Preto (surdo), Ciro (tamborim), Chocolate (surdo), Deodato (surdo), Elpídio (apito), Érica (pratos), Gicaca (surdo), João Camarão (surdo), Lô (apito), Nicanor (tamborim), Parodi (tamborim), Reinaldo Ranheto (surdo), Rosemiro Azul (taró), Quirido (cuíca), Zequinha Broqueiro (tamborim).
Baianas (in memorian): Mariazinha, Rute, Sueli Silva e Diamantina.

Rainhas da Bateria: Alba (in memorian), Ivonete, Talita, Nega Tide, Jutiara e Jaqueline Aranha.

Diretores (in memorian): Armandino Gonzaga, Euclides José dos Santos, Azomar Pereira do Nascimento e Orlando José de Souza).