Comunidade Mont Serrat
É caminhando que se abrem caminhos...
(Memórias - Comunidade Mont Serrat)
Hoje, a Comunidade Mont Serrat é um Quilombo de resistência situada no maciço do morro da cruz na parte central de Florianópolis e que tem desenvolvido a sua própria estrutura comunitária e influenciando outras comunidades ao redor da cidade.
Quando observamos a comunidade Mont Serrat, temos que sentir um profundo orgulho do que somos e da diversidade que constitui nosso modo de ser e viver.
Olhando nossa realidade não podemos jamais afirmar que somos negros acomodados. Não podemos permitir que queiram que nos sintamos assim. Na verdade carregamos Florianópolis nos nossos braços e mentes. Construímos uma história que poucas vezes nos contaram falando a verdade. Por isso, temos que continuamente contar e recontar a nossa história hoje e sempre.
“Quem põe o pé no caminho não pode voltar atrás".
“Segue em frente rompendo manhãs e anunciando uma nova vida.”
Uma História Para Ser Contada: como nasceu a comunidade.
Virgem do Mont Serrat
Que estais no monte a rezar
Pedi pelos vossos filhos
Que não vos cansam de amar.
(Hino a Virgem do Mont Serrat)
Mais de um século de história vive o povo que constitui a Comunidade Mont Serrat. É uma longa caminhada. Porém, durante o percurso não se perdeu a ligação com a história das gerações passadas. O fio condutor da religiosidade preservou a identidade comunitária. A igreja contribuiu para seu cerne cultural, social e religioso.
O processo de ocupação do Morro da Cruz deu-se mais efetivamente na década de 20. Até tão a área contava com número reduzido de famílias. Nesta época começaram a surgirem os primeiros emigrantes, em sua maioria pessoas ligadas à área rural e vindas de Biguaçu e Antônio Carlos. Quase todas de etnia negra. Destacam-se as famílias Cardoso, Veloso, Almeida e o Barbosa, com fortes ligações religiosas.
Por volta de 1926, chega à comunidade do Morro da Cruz a tradicional festa do Divino, venerada em toda Ilha de Santa Catarina. É com a prática desta tradição religiosa e popular que surge a Irmandade de Nossa Senhora do Mont Serrat e posteriormente é construída uma pequena capela para abrigar a padroeira da irmandade.
Estão presentes também, outras tradições de natureza cultural e religiosa: terno de reis, pão por Deus, procissões, novenas, cultos afros, para quais a comunidade conta com dois centros de umbanda. São preservadas ainda as tradições: boi de mamão, entrudo e futebol.
Na década de 50 a comunidade desperta para fazer reivindicações, na área de cultura, buscando a valorização das tradições afro-brasileiras. E assim nasce a Sociedade Recreativa Cultural e Samba Embaixada Copa Lord. |